Ciclo de Cinema Latino-Americano foi aberto nesta quinta com filme sobre questões de fronteira

Campo Grande (MS) – O 2º Ciclo de Cinema Latino-Americano traz esta semana no Museu da Imagem e do Som filmes com temas contemporâneos produzidos pelos países irmãos. A abertura aconteceu na noite desta quinta-feira (28.06) com o longa “Sin Nombre”, do diretor Cary Fukunaga.

Filmado no México e nos Estados Unidos em 2009, o filme aborda a saga de uma família que tenta entrar ilegalmente nos Estados Unidos, cruzando a fronteira mexicana. O curador da mostra, o colombiano Miguel Benavides, e o debatedor convidado, mestrando em Estudos de Linguagens pela UFMS Tiago Osiro Linhar, conduziram as discussões após a exibição.

“Este filme aborda mais a fronteira sul do México, mostra os ‘indocumentados’ da fronteira, o desamparo do Estado com relação a eles. É uma produção norte-americana que explora muito a violência. Mostra o pessoal abandonado que busca ser alguém se juntando a gangues. Para estas, existe regra, essa lei é mais cobrada que a lei da polícia da fronteira. Você vai cruzar a fronteira e lá do outro lado existem outras fronteiras”, diz Tiago.

O curador da mostra, Miguel Benavides, explica que além da fronteira geográfica existem outras fronteiras, econômica, social e emocional. “O ciclo se repete, porque a protagonista vai ser uma imigrante em outro país. Até os ‘caras’ da gangue são todos pobres. São pessoas que sua relação com o território se define pelo social e não pelo econômico, como um controle de território. Existem as fronteiras invisíveis, imaginárias, que são os territórios entre uma gangue e outra”.

Para Miguel, as pessoas têm uma relação com o espaço em que há também as fronteiras invisíveis, que são demarcadas pelo simbólico, como os grafites, por exemplo. “Há outras relações espaciais. Cruzar essa fronteira física significa cruzar esses limites. Há a violência explícita e a violência simbólica. Nesses espaços fronteiriços o governo não chega, a gangue é uma possibilidade de o menino no filme ter poder, ele entra para ser visto. Você faz parte de um território, você se define pelo território, que está marcado por condições sociais. O Estado tenta organizar este mesmo território, mas não é por isso que vai ter políticas públicas para atender a todas as populações”.

Ao final do debate, o curador do Ciclo de Cinema Latino-Americano convida para o filme desta sexta, “Uma Mulher Fantástica”, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018. Dirigido por Sebastián Leilo e filmado no Chile em 2007, o longa aborda “questões de limites de gênero, mostrando uma mulher transgênero transitando num território de uma família tradicional”, diz Miguel. O debatedor será Guilherme Rodrigues Passamani, professor adjunto da UFMS. Graduado em Ciências Sociais e História e Mestre em Integração Latino-Americana, com área de concentração em História Latino-Americana.

O 2º Ciclo de Cinema Latino-Americano acontece no Museu da Imagem e do Som, que fica no Memorial da Cultura e da Cidadania, na Avenida Fernando Correa da Costa, 559, Centro. A entrada é franca. Mais informações pelo telefone (67) 3316-9178.

Fotos: Karina Lima e Luciane Toledo