Semana do Meio Ambiente foi aberta nesta segunda com vídeo e exposições sobre a biodiversidade

Campo Grande (MS) – Foi aberta na noite desta segunda-feira (5 de junho) no auditório do MIS a Semana do Meio Ambiente. O evento acontece ao longo desta semana com uma programação gratuita de palestras, diálogos, exibição de curtas-metragens e oficinas. O objetivo de conduzir os participantes a uma reflexão sobre a importância da conservação preservação dos nossos recursos naturais e da sustentabilidade regional.

A coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, explicou como surgiu a ideia de fazer a Semana, que já está em sua segunda edição. “Ano passado o museu apresentou para o Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo a proposta de fazer uma atividade de meio ambiente. Esse ano decidimos fazer a mostra de cinema com fórum, filmes, fotografias e pinturas para a gente debater essa relação com o meio ambiente, que é importante para todos. Agradeço a presença de todos para discutir meio ambiente, cultura e cidadania. Estamos felizes com as parcerias firmadas”.

Uma das organizadoras do evento, Simone Mamede, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, agradeceu o convite do MIS, considerada por ela como um desafio. “A imagem e o som são onipresentes em nosso dia-a-dia, por isso decidimos promover o cinema voltado ao meio ambiente. Agradeço aos parceiros, pessoas incríveis com projetos interessantes na área de cultura e meio ambiente. Um dos nossos desafios é transformar numa linguagem acessível nossas pesquisas científicas, temos que acessibilizar para a sociedade. Queremos quebrar os muros da nossa ciência, com todo mundo se falando em prol da sustentabilidade ambiental. Cidadania envolve todas as ciências, todas as áreas. O que estamos fazendo aqui é uma atividade cidadã”.

Logo depois foi exibido o vídeo “Águas que Educam – o Pantanal e sua História na Pintura Sul-Mato-Grossense”, realizado pelo professor doutor Gilberto Luiz Alves, da UFMS. Gilberto explicou que a proposta do vídeo nasceu dentro da UFMS. “O projeto previa oficinas para treinamento de professores e a circulação de parte da minha coleção de artes visuais junto com as oficinas. Decidimos fazer um documentário contando a história do pantanal por meio das artes. Foram utilizadas no documentário 66 pinturas e dois desenhos, música, literatura e textos de músicas significativos do nosso Estado. Esse documentário pode ser explorado em diversas áreas, como História, Geografia, Ciências Ambientais, Educação Artística”.

O professor Gilberto realizou, após a exibição do vídeo, um diálogo com a plateia, respondendo a perguntas dos presentes. Para ele, que vem da área de História da Educação, é muito difícil fazer educação dentro das escolas. “A escola centrou o trabalho no manual didático e não no professor. Isso não é compreensível no nosso tempo, mas a escola continua funcionando assim. O manual didático é pensado de forma que em todos os lugares do Brasil se tem acesso aos mesmos conteúdos. Logo, não nos permite entender o nosso meio. Toda a discussão que se faz sobre o meio ambiente é de forma bastante genérica”.

Para o professor da UFMS, existe uma perspectiva elitista nos críticos de arte. “Eu tenho dito que apreciar a arte é abrir os olhos. A primeira preocupação é educar o olhar. As pessoas precisam ver a arte. Os professores e alunos desconhecem a arte feita em Mato Grosso do Sul. Para mim, a obra de arte é como se fosse um livro. Eu não faço distinção entre uma obra de arte e um livro. Ambos me permitem objetivar o real. A obra não é pensada a partir do que ela revela do real, é uma contribuição para ajudar as pessoas a entender o que são nossas relações. Para que isso funcione na escola tem que haver treinamento profundo dos professores. A criança adora a arte e se envolve”.

Após a conversa, os presentes foram convidados a visitar as exposições: “Olhares Criativos da Natureza”, coletiva de fotografias de iniciativa do Instituto Mamede; exposição de ilustrações da artista Lídia Coimbra e exposição de fotografias sobre a Biodiversidade, de alunos da Escola Oswaldo Tognini.

Lídia Coimbra é publicitária e trabalhou sempre como ilustradora. Há 13 anos comprou um sítio em Corguinho e começou a se inspirar na natureza para suas ilustrações. “Faz dois anos que voltei para Campo Grande. Meu sítio era no mato mesmo. Eu não tinha acesso à internet, e como já trazia essa bagagem da publicidade, como ilustradora, comecei a pintar com lápis de cor e fui aprimorando, sempre observando os pássaros. Vou ao campo observar para tirar os detalhes. Observando e colocando na ilustração, faço um trabalho mais verdadeiro. Quando não consigo ver um bicho ao vivo, uso fotos. Com meu trabalho eu posso trazer um pouco mais para as pessoas da natureza. Às vezes as pessoas não vão para o campo, mas todo mundo quer a natureza dentro de si”.

A bióloga e professora de Ciências da Escola Oswaldo Tognini, Letícia de Araújo, é uma das realizadoras do projeto de fotografias sobre Biodiversidade, feita pelos alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental. “O objetivo do projeto é expor as fotografias na Feira do Conhecimento, que acontece na escola em outubro. Queremos mostrar a biodiversidade pelo olhar dos alunos. São 21 alunos de 12 a 14 anos que começaram a fotografar em abril. Eles estão fazendo os registros sobre a biodiversidade de Campo Grande. Estão todos se esforçando muito, tem aluno que já tem mais de 300 fotos”.

Bruno Loureiro Ferreira, um dos alunos participantes, tem uma foto sua na exposição, intitulada “A toca das araras”. “Eu fui andar de bicicleta nos altos da Afonso Pena e vi a arara. Eu não gosto que as pessoas tirem fotos minhas, mas eu gosto de tirar fotos, gosto da natureza. Nas aulas de ciências estou aprendendo sobre o corpo humano. É legal”.

Muito falante, Maria Julia Ludvig tirou sua foto na avenida Ricardo Brandão, que ela intitulou de “Caminho de flores”. “A professora falou que precisava das fotos daí fomos nessa rua, minha mãe me levou e também a outras amigas. Passamos pela ponte, olhamos e fotografamos. Eu gosto de flores e adoro fotografia. Ciências é minha matéria preferida, eu adoro”.

Quem quiser conferir essas lindas fotos e também participar da programação gratuita da Semana do Meio Ambiente, basta visitar o Museu da Imagem e do Som até o dia 10 de junho, próximo sábado.

A realização da Semana fica a cargo do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria e Fundação de Cultura, Instituto Mamede e Uniderp, tendo como parceiros a WWF, WCS, Instituto Arara Azul, Instituto Quinta do Sol, Imasul, IFMS, Uems, Turismo-Uems, Projeto Tatu-Canastra, Funlec, UFMS, SED e Planurb.

Clique aqui e confira aqui a programação completa.

Fotos: Alvaro Herculano