“Café e Literatura” discute rumos da literatura em MS e MT durante o 22º Proler

Categoria: Leitura, Literatura | Publicado: sábado, novembro 6, 2021 as 21:25 | Voltar

Campo Grande (MS) – Palavras poéticas. Chuva caindo. Uma tarde de deleite foi o “Café e Literatura”, evento do 22º Encontro do Proler, realizado neste sábado na Biblioteca Municipal, no Horto Florestal. Cinco escritores, com a mediação da professora Susylene Araújo (UEMS), discutiram os rumos da literatura em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em comemoração ao Dia da Literatura Sul-Mato-Grossense.

“Poder falar de literatura é muito bom”, começa a escritora Diana Pilatti. “A literatura chegou na minha vida há um bom tempo. Essa literatura foi conversando comigo de uma forma mais íntima, mais potente. A poesia dialoga de fora mais forte comigo. As metáforas, as figuras surgiam de uma forma mais natural. Eu não consegui deixar de lado, por mais que haja essa correria que é viver”.

Febraro, jovem escritor LGBTQIA+ de 23 anos, tem uma produção muito recente na literatura. Seu livro “O Uirapuru” é um grande estudo sobre a subversão da linguagem. “A literatura LGBTQIA+ tem uma função, e a literatura de Mato Grosso do Sul está numa fase de criar tensionamentos, isso me agrada muito”.

Fábio do Vale, o primeiro doutor do Programa de Estudos de Linguagens da UFMS, ex-aluno da UEMS, diretor de cultura da União Brasileira de Escritores, traz um novo ar para o ambiente literário do nosso Estado. Sua tese de doutorado fala sobre rupturas a partir da condição do brasileiro, pensar o Brasil e a produção literária contemporânea a partir de experimentos pouco apostados nas minorias.

O polêmico Eduardo Mahon apimentou o bate-papo da tarde. Advogado, escritor, pesquisador, facebooker, seu livro Literatura Contemporânea em Mato Grosso é resultado de sua dissertação de mestrado. É um ativador cultural na perspectiva da literatura em Mato Grosso. “Como provocador, eu percebo que não só os fundadores da nossa literatura e também os críticos nos sugerem uma pauta que é essencialmente geométrica, uma necessidade de apresentação do seu espaço, de pertencer a algum lugar. No momento do desligamento de Brasil de Portugal estabeleceu-se esta pauta. Perdeu-se em imaginatividade”.

Henrique Alberto de Medeiros Filho, presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Letras, de Corumbá, escritor, publicitário, jornalista, escreve desde os dez anos de idade. “O Azul invisível do mês que vem” é um de seus romances, de 2009. “A ASML tem nomes que fazem com que tenhamos orgulho de Mato Grosso do Sul e de nossa literatura”.

Ao falar sobre literatura e escola, Diana Pilatti explicou que em MS a disciplina Literatura se aglutinou com Língua Portuguesa. “Perdemos uma disciplina, mas continuamos trabalhando na escola no fomento à leitura. Às vezes o aluno pega um livro com cujo vocabulário ele não se identifica. A arte da palavra não faz sentido para a criança. E com o adolescente existem polêmicas, tabus, sobre o que se pode falar, é um desafio. A gente percebe a diferença na criança quando existe uma mãe leitora. O analfabetos funcionais sabem ler o código, mas não sabem interpretar. E a situação econômica de uma família influencia. Será que sobra para comprar u livro?”. A escritora aconselha: “Leia, leia muito, compartilhe suas leituras, leia e fale sobre suas leituras!”

Febraro fala sobre seu interesse nos prêmios e editais literários: “Concurso não me interessa participar, porque é muito competitivo, mas na literatura para mim é interessante umas ideias de prêmio, edital. A gente tem que tirar do pensamento a ideia de que literatura não dá dinheiro. Dá para viver de literatura, só é um pouco mais complicado que outras profissões”.

Para Fábio, é muito difícil pensar os rumos da literatura de um Estado. É difícil mensurar aquela voz que representa a literatura brasileira. Pensar a cultura sul-mato-grossense é analisar aqueles escritores subalternizados que vão preencher espaços esquecidos e não preenchidos, como as diversidades indígenas, o experimento que não foi experimentado”.

“É ilusão desfazer a elite. Todo mundo, todo país tem sua elite’, afirma o polêmico Eduardo Mahon. “A questão é fazer com que esse povo rico financie a cultura. Através da educação, da comunicação social, é possível sensibilizar”.

“Que as elites financeiras sejam mais mecenas!”, finaliza, então, Henrique Medeiros.

O evento continua na segunda-feira, dia 8 de novembro com o Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de MS. Será realizada às 14 horas a palestra Agenda 2030 e equipamentos culturais, com Gisele Dupin (MTUR), com mediação de Eduardo Romero, secretário adjunto da Secic. Para conferir a programação completa do 22º Encontro do Proler, basta clicar AQUI.

Foto: Karina Lima

Publicado por: Karina Medeiros de Lima

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