Publicado em 16 maio 2026 • por Daniel •
O projeto Catedral Erudita integra a programação do Festival América do Sul 2026, e levou a música de concerto e fronteiriça para o Quebra-Torto com Letras, no Moinho Cultural, em Corumbá, na manhã deste sábado (16). Com entrada gratuita, o projeto reúne formações de excelência, solistas premiados e repertórios que transitam do erudito ao popular brasileiro, sempre em diálogo com a riqueza sonora e a diversidade cultural do país.
Criado em 2023, o Catedral Erudita leva apresentações de música de concerto a igrejas e templos históricos de Mato Grosso do Sul, explorando a acústica e a atmosfera singular desses espaços. Desde sua estreia, o projeto já recebeu orquestras e solistas do Brasil e do exterior, ampliando o alcance cultural e fortalecendo o intercâmbio artístico.
O maestro Eduardo Martinelli lembrou que o projeto Catedral Erudita nasceu em Corumbá, no ano de 2023. “Foi um concerto com a Orquestra e a Tetê Espindola. Foi uma abertura mais popular, mas dentro de uma linguagem de música de concerto. A gente pode dizer que o Catedral Erudita é uma das ferramentas mais eficientes de democracia musical, de democracia cultural, onde a gente não restringe o acontecimento a um estilo em si, mas tudo aquilo que a música de concerto, no seu sentido mais amplo, pode proporcionar: junção entre músicos de orquestras diferentes, repertório com cantores populares acompanhados por uma orquestra, apresentação de música de câmara com obras já consagradas e imutáveis dentro do repertório da música de concerto”.
O concerto de hoje teve a participação do músico Marcos Assunção, que trouxe um repertório autoral e músicas de grandes clássicos da música erudita de Johann Sebastian Bach, arranjados para viola e para quarteto de cordas. O arranjo de cordas foi feito pelo maestro Eduardo Martinelli. E é uma concepção de um trabalho que Marcos Assunção traz da viola e batuque, que ele gravou com o grande percussionista renomado Marco Lobo, com quem ele tem um trabalho, um álbum lançado em 2023.
“É a quarta vez que eu estou participando do Festival América do Sul. A primeira vez foi em 2008, a segunda em 2012, que eu abri o Milton Nascimento. Em 2018 eu vim aqui no América do Sul também, com trabalho com quinteto. E em 2026 eu fui convidado para participar da Catedral Erudita, que é esse projeto maravilhoso, onde você possibilita concertos de música instrumental e estar num festival mais importante do Mato Grosso do Sul, um dos mais importantes, que tem história e está selado aí na memória de toda essa população, onde a gente elenca a importância da arte sul-americana. É uma honra muito grande, sem sombra de dúvida, a gente sente que é uma conquista ser convidado para participar e fazer parte, principalmente ao lado de grandes músicos, grandes artistas aqui”, diz Marcos Assunção.
A apresentação teve também a participação do harpista Ossuna Braza, que trouxe um repertório de seis músicas, sendo cinco delas músicas autorais do seu álbum chamado Una Asa, que são composições que têm uma profunda inspiração nessa música fronteiriça, Paraguai, principalmente Argentina, brasileira, sul-mato-grossense, mas também com uma originalidade um tanto nova, em que o artista usa sua harpa cromática e canta algumas e outras só toca instrumentalmente.

“Tocar no Festival é uma oportunidade que quase não tenho palavras para definir. Uma grande honra da parte do maestro Eduardo Martinelli poder me convidar a ter essa perspectiva, esse interesse no meu trabalho e é algo fenomenal. Eu me sinto muito prestigiado e, ao mesmo tempo, com contentamento e gratidão quase infinita”, afirma Ossuna Braza.
Texto: Karina Lima
fotos Elias Campos








