Grupo TEZ celebra 41 anos de resistência com ações em comunidades quilombolas do Estado

  • Publicado em 19 mar 2026 • por Marcio Rodrigues Breda •

  • Março foi um mês de celebração, memória e reafirmação da luta para o Grupo TEZ – Trabalhos e Estudos Zumbi, que completou 41 anos de atuação com uma programação marcada por encontros, visitas a comunidades quilombolas e momentos de escuta coletiva em diferentes territórios de Mato Grosso do Sul.

    As atividades aconteceram ao longo do mês, com destaque para a visita da Fundação Cultural Palmares, representada por Allan Matos, coordenador do Departamento de Certificação das Comunidades Quilombolas, que percorreu comunidades como Furnas do Dionísio, Eva Maria de Jesus (Tia Eva), Chácara Buriti e São João Batista. Os encontros se tornaram espaços de diálogo direto com lideranças locais, onde foram apresentadas demandas históricas e desafios estruturais enfrentados pelas comunidades.

    Para a presidente do Grupo TEZ, Bartolina Catanante (Bartô), celebrar 41 anos neste momento histórico amplia o significado da trajetória construída pelo grupo. “Estamos vivendo um momento em que as comunidades quilombolas ganham um protagonismo especial. E em Mato Grosso do Sul isso se fortalece ainda mais com o reconhecimento da comunidade quilombola Tia Eva, que se torna um marco na história do Brasil. Isso é uma vitória da luta antirracista”, afirma.

    A certificação e o reconhecimento do território quilombola urbano de Tia Eva, em Campo Grande, somam-se a um momento simbólico em que a comunidade também celebra 100 anos de história, além da reconstrução de sua igreja, fundada por sua liderança ancestral. Para Bartô, esses avanços representam não apenas conquistas institucionais, mas a possibilidade concreta de continuidade das comunidades. “A ampliação do território permite que os filhos e descendentes permaneçam ali, fortalecendo a cultura, a ancestralidade e a luta contra o racismo”, destaca.

    Durante as visitas, um dos pontos centrais foi a escuta ativa das comunidades. Segundo Bartô, o encontro com a Fundação Palmares reafirmou a existência viva dos quilombos no estado. “Foi um momento importante para mostrar que o quilombo em Mato Grosso do Sul existe, está produzindo, mantém sua memória e sua cultura. E também para apresentar os desafios, como a questão do território, que ainda não está regularizado em muitos casos”, pontua.

    Além das agendas nos territórios, o dia 18 de março, data de fundação do Grupo TEZ, foi celebrado com um encontro marcado por emoção, memória e identidade. A programação reuniu mulheres que fazem parte da história do grupo, cujos depoimentos evidenciaram o impacto do TEZ na construção de trajetórias pessoais e coletivas.

    “As falas das mulheres foram muito marcantes. Todas, em algum momento da vida, tiveram relação com o TEZ. E todas carregam essa transformação, essa construção de identidade. O que a gente busca é que cada pessoa reconheça o seu lugar na sociedade, enfrente o racismo e fortaleça sua autoestima. Isso permanece para sempre”, afirma Bartô.

    A diversidade das histórias, de mulheres que conheceram o grupo ainda na infância, de outras que passaram por diferentes contextos sociais e até daquelas que saíram do estado e retornaram, revelou a dimensão do pertencimento construído ao longo das décadas. “Quem é do TEZ, é para sempre. Existe um acolhimento que atravessa o tempo e o território. Isso é identidade, isso é resistência”, completa.

    Ao celebrar mais um ano de existência, o Grupo TEZ reafirma sua trajetória como uma das principais referências na luta antirracista em Mato Grosso do Sul, articulando cultura, educação e organização comunitária. Mais do que uma celebração, os 41 anos do grupo se consolidam como um marco de continuidade de uma história viva, construída coletivamente e comprometida com o fortalecimento das comunidades quilombolas e da população negra no estado.

    Essas ações fazem parte do Pontão de Cultura Egbé TEZ, que recebeu investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC, executado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

    Fotos: Arquivo Grupo TEZ

    Reportagem: Aline Lira e Lucas Arruda

    Categorias :

    Cultura

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