Com a presença do governador Eduardo Riedel, Quebra-Torto valoriza literatura regional, nacional e tradição pantaneira

  • Publicado em 16 maio 2026 • por Daniel •

  • O governador Eduardo Riedel prestigiou o Quebra-Torto com Letras, que une literatura, música e a gastronomia típica pantaneira. O evento aconteceu na manhã deste sábado (16), no Moinho Cultural, em Corumbá, durante o Festival América do Sul, com um bate-papo entre Cidinha da Silva, André Ramalho e Rossine Benício, com mediação de Jordana Xavier. 

    Cidinha da Silva é natural de Minas Gerais, escritora, cronista e dramaturga brasileira, com atuação destacada na literatura afro-brasileira contemporânea. No Quebra-Torto, ela falou sobre seus dois livros de ensaios mais recentes: “Quando Borboletas Furiosas se tornam Mulheres Negras” e “Só bato em cachorro grande, do meu tamanho maior – 81 Lições do Método Sueli Carneiro”. “Sueli Carneiro é uma ativista do movimento negro muito conhecida, uma das responsáveis pelas conquistas que a população negra teve no Brasil nos últimos 45 anos. Dos 45 anos mais recentes, é uma pessoa fundamental nesse nosso país contemporâneo, na contemporaneidade do Brasil”. 

    Não é a primeira vez da autora em Mato Grosso do Sul. Ela já veio quatro vezes, mas é a primeira vez em Corumbá, “essa cidade tão múltipla, tão polifônica, com tantas vozes que eu estou gostando muito de conhecer”. A autora falou um pouco sobre ser escritora negra no Brasil: “As escritoras negras, as escritoras indígenas terão no seu percurso os atravessamentos do racismo, que atravessam todas as pessoas negras e indígenas que vivem numa sociedade racializada como a sociedade brasileira. Então, é isso, é um enfrentamento todo o tempo dessas questões que vêm do racismo, da discriminação racial e que atravessam as trajetórias das pessoas negras, independentemente da área em que elas atuem, do campo ao qual elas estão, o campo ao qual elas pertencem, não é a área a qual elas estão circunscritas. E é isso, é esse enfrentamento todo tempo”. 

    Rossine Benício é professor de Língua Portuguesa e literaturas da Língua Portuguesa, formado em 1991 pela UCDB. Ganhou o prêmio de melhor poesia na Semana de Letras da Universidade Católica Dom Bosco, em 1990 e 1991. “A minha literatura é uma literatura que ao mesmo já é universal, né? É claro que a gente se nutre das coisas daqui, mas eu gostaria que minha literatura chegasse, que o que nós escrevemos chegasse a todos”.

    Para ele, participar do Quebra-Torto durante o Festival “é emocionante”. “Corumbá é uma cidade que acolhe, desce cedo lá na rodoviária, venho olhando os prédios históricos, então Corumbá tem uma beleza incomensurável e eu fico muito feliz de ter sido convidado pra participar do Quebra-Torto pela primeira vez e espero ser convidado outras vezes, porque Corumbá parece que nos abraça, a natureza de Corumbá é exuberante, a arquitetura de Corumbá parece que é um aconchego”. 

    André Ramalho  é escritor, professor de História, músico e produtor cultural nascido em Corumbá, MS. Ele é autor dos livros Trechos e Textos 1 e Trechos e Textos 2, que unem literatura a fragmentos musicais – Clube de Leitura Ancestraleituras . No Quebra-Torto ele falou um pouco sobre sua escrita, que é uma escrita de crônicas. “Os dois primeiros livros que eu publiquei são crônicas inspiradas em trechos de músicas”. E falou também de uma iniciativa que ele trabalha também na Gerência da Igualdade Racial, de um clube de leitura chamado Ancestral Leitura, que lê autores e autoras negras brasileiras. 

    “Eu comecei publicando textos no Instagram, inspirados em textos de música. E aí quando eu reuni um quantitativo interessante de textos, eu publiquei o livro 1, que foi premiado no Leia MS. E depois veio o livro 2, que também foi premiado no Leía MS”, diz o escritor.

    Para André, fazer literatura em Corumbá precisa ser para além da publicação. “Precisa ser na construção de espaços, de criação de leitores, de aproximação com estudantes, aproximação com professores, aproximação com instituições. E aí a gente vai criando uma rede, porque é desafiador em qualquer lugar, seja em Corumbá, Campo Grande ou em alguma grande cidade. Então precisa ir criando essas redes, precisa ir construindo redes de leitores, construindo projetos de leitura, consolidação e criação de leitores, então assim, é um processo bem coletivo mesmo”.

    E na cozinha, preparando a refeição do Quebra-Torto, Lidia Aguilar Leite, responsável pela gastronomia pantaneira do evento, já está há 17 anos à frente do Quebra-Torto, segundo ela, sempre com a mesma equipe. O cardápio de hoje é arroz com linguiça, macarrão de comitiva, feijão gordo, farofa de banana da terra, paçoquinha de carne seca e para acompanhar o mate queimado, a sopa paraguaia, o bolo de fubá com goiabada e o bolinho de chuva. 

    “Como eu sou pantaneira de família, a gente já vem vindo há anos, eu nasci quase em fazenda, nasci em Corumbá, foi criada na fazenda, então eu adoro divulgar a nossa cultura. O Quebra-Torto já é a tradição nossa da região aqui, todo mundo conhece o Quebra-Torto. Então, nós não podemos deixar perder para divulgarem, inclusive para as escolas, para essas crianças que estão vindo agora, para que eles conheçam o que é um Quebra Torto, que é uma lida do campo, o peão, que ele tem que comer cedo para ele sair. Que vai para as comitivas também, que vai à frente e tem que fazer a refeição cedo, porque eles passam, às vezes, dias, meses no campo, né? Então tem que se alimentar”, diz Lídia.

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    Texto: Karina Lima

    Fotos Elias Campos

     

    Categorias :

    Festival América do Sul

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