Com Oficina Vogue, Festival América do Sul mergulha na Cultura Ballroom e mostra que estilo vai além da pose

  • Publicado em 17 maio 2026 • por Daniel •

  • Mais do que passos de dança, a Oficina de Vogue Femme deu evidência à resistência do movimento LGBTQIAPN+ dentro do contexto do Festival América do Sul 2026.  

    Realizada em uma das salas de dança do Moinho Cultural Sul-Americano na tarde deste sábado, 16 de maio, a oficina aproveitou do impacto da dança para falar de temas como respeito ao próprio corpo.

     “Nós aqui temos corpos diferentes e por isso temos que buscar a maneira mais adequada de executar os movimentos apesar das técnicas ensinadas”, explicou Kiara Penha. 

    Natural de Ladário, ela atualmente reside em Campo Grande onde entrou em contato com a Cultura Ballroom, surgida em Nova York como um movimento político e de entretenimento que celebra a diversidade de gênero, sexualidade e raça.

    “A Ballroom foi criada por uma travesti preta e ao saber disso eu pensei:  ‘Meu Deus, isso aqui é sobre mim, essa tecnologia existe’. Então, tudo começa a fazer muito sentido, e quando você chega ao mainstream, tipo assim, as coisas saem da bolha da ballroom, a gente contribui para quebrar preconceitos”, avaliou ao continuar a falar sobre a importância do movimento Ballroom.

    “Eu considero isso uma tecnologia, porque você consegue acessar muitas portas. Por exemplo, a gente tá aqui hoje no Festival América do Sul graças ao movimento. Sem contar acessos internos de autoestima, de autocuidado, de auto aceitação, e isso pra mim é uma das maiores tecnologias que a gente pode pensar pra uma pessoa”, pontuou.

    Kiara ainda destacou que a Cultura Ballroom, onde está inserido o estilo Vogue, possibilitou abrir vitrine para uma diversidade de que vai além da orientação sexual. Segundo ela, é sobre a diversidade que existe na sociedade que tenta padronizar mentes e, principalmente, corpos.

    “Geralmente, corpos não padrões são os que se destacam na ballroom. A grande maioria das vezes são corpos não padrões, são corpos gordos, corpos magros, corpos altos, corpos pretos, então, todo tipo de corpo menos o padrão. A ballroom veio disso, da revolta de uma travesti preta que não aceitou, sempre está perdendo concursos para pessoas brancas, mesmo ela sendo a melhor”, contou Kiara.

    Para além do “carão” e de gestos vibrantes e hipnotizantes, dançar Vogue é carregar muita atitude e orgulho de ser quem se é.

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    texto Lívia Gaertner

    fotos Altair Santos

    Categorias :

    Festival América do Sul

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