Na Casa do Artesão, gerações se encontraram para aprender com quem faz da natureza matéria-prima de beleza

  • Publicado em 15 maio 2026 • por Daniel •

  • Elementos naturais e materiais que iriam para o lixo se transformam em verdadeiras obras de arte. Essa habilidade foi repassada pela artesã Maria José de Oliveira durante a oficina “Do Natural ao Decorativo: Palha, Sisal e Vidro”, realizada nesta sexta-feira (15), na Casa do Artesão, durante o Festival América do Sul 2026 (FAS). Entre crianças, jovens, adultos e idosos, a sala reuniu gerações inteiras unidas pelo prazer de criar com as próprias mãos.

    Com mais de 20 anos de Casa do Artesão, Maria José passou a manhã toda ensinando técnicas com palha de milho, sisal e garrafas reaproveitadas. “Estou passando o que eu sei para os participantes. Tenho o maior prazer de estar aqui hoje dando aula — é uma coisa que aprendi e meu maior prazer e alegria é passar para as pessoas também”, contou. Ela destacou a versatilidade dos materiais: “A palha de milho vira muitas coisas, de flores decorativas a chapéu e cestos decorativos. Na decupagem com garrafa, você decora do jeito que quiser”, diz.

    Um dos momentos mais tocantes da oficina foi protagonizado por Andreia Monteiro Alves, artesã e avó da pequena Ana Clara, de seis anos. “Achei muito interessante porque tem que molhar a palha no amaciante — ela naturalmente é mais dura e quebradiça, mas amacia mesmo. Depois dessa etapa a gente corta conforme os moldes e faz a pétala da flor”, explicou Andreia. 

    Ao lado da avó, Ana Clara não escondia o entusiasmo: “Parece brincadeira de criança. Eu e a minha vó fizemos juntas e vamos pintar de vermelho, que é a cor que eu quero. Quero ser artesã que nem a minha avó”, completou a menina.

    A acessibilidade dos materiais também chamou atenção das participantes. A costureira Mabel Vaca destacou o potencial prático do que aprendeu. “É um material bem acessível, especialmente na época de colheita do milho. Dá pra fazer, pra decorar a casa, dar de presente. Eu trabalho com costura, então tenho coordenação motora — não estou achando difícil não”, relatou.

    Para além do artesanato, a oficina preencheu uma lacuna sentida por muitos em Corumbá. Milena Freitas, jovem de 26 anos, formada em Relações Internacionais, refletiu sobre o significado do momento: “É exatamente o que falta para a nossa cidade. Muita gente, principalmente da nossa idade, reclama que tem pouca coisa para fazer em Corumbá. Esse é um bom momento de passar o tempo, aprender uma coisa nova e diminuir o tempo de tela. Estou achando terapêutico. Tomara que tenham outras oportunidades como essa”, afirmou.

    O entusiasmo de Milena não ficou restrito a uma só atividade. Aproveitando a programação do FAS, ela participou de mais de uma oficina durante o festival — no dia anterior, havia experimentado a de argila, e já aguardava ansiosa para ver como ficou sua peça.

    Texto Thais Pimenta

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